Boulos, Luciana Genro, Cristovam Buarque, Marina Silva,
Fernando Haddad, Henrique Meirelles, João Vicente Goulart e Alckmin se reuniram
com petista. Críticas a Bolsonaro dominaram discursos durante reunião nesta
segunda em SP.
Candidatos a presidente em eleições passadas reunidos
com Lula em São Paulo — Foto: Reprodução/YouTube Lula
Candidatos à
Presidência da República de eleições passadas se reuniram com o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para declarar apoio ao petista contra Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral deste ano (veja
declarações mais abaixo nesta reportagem).
O
encontro ocorreu em um hotel em São Paulo e contou com as participações de:
·
Guilherme Boulos,
que concorreu em 2018 pelo PSOL;
·
Luciana Genro,
que concorreu em 2014 pelo PSOL;
·
Cristovam Buarque,
que concorreu em 2006 pelo PDT;
·
Marina Silva, que
concorreu em 2010 pelo PV, em 2014
pelo PSB e em
2018 pela Rede;
·
Fernando Haddad,
que concorreu em 2018 pelo PT;
·
Henrique Meirelles,
que concorreu em 2018 pelo MDB;
· e João Vicente Goulart, que concorreu em 2018 pelo PPL.
Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na chapa
de Lula, também compareceu à reunião. Pelo PSDB, Alckmin disputou as eleições
para presidente nos anos de 2006 e 2018.
Guilherme
Boulos, Marina Silva e Fernando Haddad já haviam manifestado apoio ao candidato
do PT. Marina fez o anúncio na semana passada, depois de apresentar a
Lula uma série de pedidos relacionados à pauta ambiental.
O mais recente levantamento do instituto Datafolha,
divulgado na quinta-feira (15), aponta que Lula tem 45% das intenções de voto
no 1º turno, e Bolsonaro, 33%. A pesquisa Ipec mais recente aponta cenário
semelhante: 46% para Lula e 31% para Bolsonaro.
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O
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O que disseram os ex-candidatos
Durante a reunião, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL-RS), que já foi filiada ao PT, defendeu o voto em Lula como uma maneira de barrar o que ela classificou como “projeto fascista” de Bolsonaro.
"Nós compomos aqui, na verdade, uma
frente antifascista", disse Luciana.
“O projeto
representado pelo Bolsonaro, embora não tenha conseguido ser implementado, é um
projeto fascista. É um projeto racista, misógino, LGBT-fóbico, um projeto
discriminatório e violento."
A deputada afirmou
ainda que Bolsonaro trata adversários políticos como inimigos e que tem como
projeto eliminá-los.
"Nos unimos aqui,
em torno de ti, meu prezado Lula, do teu nome, da tua força política, da tua
liderança política enquanto uma referência de massas para o povo brasileiro,
porque nós temos a convicção de que a tua eleição vai nos possibilitar respirar
novamente para poder lutar por uma verdadeira democracia", disse Luciana.
Ex-senador,
ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação durante a passagem
de Lula na presidência, Cristovam Buarque também deixou o PT, mas, nesta
segunda, anunciou apoio ao ex-presidente.
"Eu estou aqui,
em primeiro lugar, porque o Lula é o melhor que nós temos hoje para presidir o
Brasil. De todos os candidatos, isso eu já falo há bastante tempo, é o que tem
mais condições de trazer coesão e rumo para o Brasil", disse Buarque.
"Nós precisamos barrar o risco, a tragédia, o assombro da reeleição do atual presidente da República. E Lula, além de ser o melhor dos candidatos, é quem tem mais condições de barrar essa tragédia brasileira", afirmou o ex-senador, que também defendeu a união de forças em torno da candidatura petista para evitar um segundo turno.
"Será uma tragédia termos o segundo
turno. Eu não tenho dúvida de que ele [Lula] ganhará no segundo turno, se
houver segundo turno. Mas serão quatro semanas imprevisíveis do ponto de vista
de violência nas ruas, do ponto de vista de 'fake news' para todos os
lados."
João Vicente Goulart –
que é filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964,
e que foi candidato à presidência pelo PPL nas eleições de 2018 – defendeu a
eleição de Lula para evitar o risco de que o Brasil viva sob uma nova ditadura.
"Todos aqueles
que lutaram pela democracia, que tombaram no caminho da restauração
democrática, todos aqueles que, de certa forma, estiveram presentes junto às
reivindicações do nosso povo brasileiro, estão hoje depositando as esperanças
na sua condução e na sua futura Presidência da República", disse Goulart a
Lula.
"A luta é
difícil, a união se faz necessária. E se faz necessária porque o Brasil está na
frente de todos nós, o Brasil está na frente das nossas divergências",
completou ele.
Ex-ministro da Fazenda no governo Michel Temer e ex-presidente do Banco Central no governo Lula, Henrique Meirelles destacou números da economia durante o governo do petista e criticou o desempenho econômico do país durante o atual governo.
O
que interessa é emprego, é renda para a população e mostrar quem faz, quem
realiza. Essa história de só falatório pode impressionar muita gente, mas eu
acredito em fatos. Eu olho e vejo o resultado do seu governo e isso nos faz
estar aqui. Portanto, vamos em frente, estou aqui com tranquilidade, com
confiança, porque eu sei o que funciona e o que pode funcionar no Brasil",
disse.
'Recuperar a democracia'
Lula
afirmou que o ato desta segunda e o apoio dos ex-candidatos simboliza a vontade
de recuperar a democracia no país
"É
um dia alegre porque essa reunião aqui simboliza a vontade que as pessoas têm
de recuperar a democracia no nosso país. E todo mundo sabe que a democracia não
é um pacto de silêncio, todo mundo silenciosamente vendo um governo governar.
Não, a democracia é justamente o contrário: é a sociedade se movimentando dia e
noite na perspectiva de conquistar melhores condições de vida para o povo brasileiro",
disse o petista.
"Eu
estou feliz porque essa reunião, essa fotografia, ela simboliza a reconstrução
do Brasil."
O
petista disse ainda que os aliados serão chamados “para um desafio”, que
envolve “restabelecer a palavra soberania” no país.
“Eu estou querendo chamar vocês para um desafio que é muito maior que governar”, disse Lula.
“Nós vamos
restabelecer a palavra soberania na sua plenitude, redefinir o papel de cada um
porque as instituições estão desmontadas, muitas vezes até desmoralizadas. Todo
mundo sabe a briga que a gente vai ter para discutir esse tal desse orçamento
secreto”, completou o ex-presidente, referindo-se à decisão do Congresso que
transferiu para deputados e senadores o poder de decidir onde é aplicada boa
parte dos recursos públicos destinados a investimentos.
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