Onyx, Moro, Bolsonaro e Mourão. Foto: EVARISTO
SA / AFP
Sendo verdade o que disse o ministro demissionário
Sergio Moro, o presidente da República cometeu crime de responsabilidade ao
dizer que desejava indicar para a direção-geral da Polícia Federal alguém que
lhe desse informações sobre investigações sigilosas.
Sendo verdade
o que disse Moro, ele prevaricou ao não revelar pressões indevidas do
presidente da República que foram feitas desde o segundo semestre do ano
passado.
Bolsonaro ficou mal na foto. Mas Moro também, porque
trouxe tais informações a público somente depois de ser levado a pedir demissão
pelo chefe. Esse relato sugere prevaricação.
Quando
Moro diz que Bolsonaro queria um diretor-geral da PF para o qual pudesse ligar
e obter informações sigilosas, fica claro que, no cargo de ministro da Justiça,
ele testemunhou um crime de responsabilidade do presidente. Bolsonaro precisa
dar resposta a acusação tão grave.
Deu ruim
Moro
jogou para ficar e perdeu. Ameaçou pedir demissão a fim de ganhar a batalha
para manter Maurício Valeixo na direção-geral da PF. Mas Bolsonaro não topou e
o forçou a sair.
No governo Lula, Antonio Palocci Filho teve sucesso ao
adotar essa tática até o surgimento do caseiro Francenildo. Na administração
FHC, Pedro Malan levou todas.
O
discurso de Moro de que desejava evitar interferência política na PF não fica
de pé. Ele queria ter o monopólio da interferência, a carta branca que
Bolsonaro teria lhe dado.
Moro usou
o peso da PF para intimidar um porteiro que deu depoimento incômodo para a
família Bolsonaro no caso Marielle. Ele tentou destruir material da Vaza Jato
em proveito próprio. Não agiu corretamente, apesar de vender um discurso de
cavaleiro do combate à corrupção que tem cadeira cativa na praça.
No final
do pronunciamento de hoje, Moro se colocou à disposição do país. Abre, assim, a
possibilidade de ser candidato a presidente em 2022. Ele continua a ser a
principal ameaça à democracia brasileira.
Estranho
Questões
de foro íntimo devem ser sempre respeitadas. É legítima a preocupação de Moro
com o futuro da família caso algo lhe aconteça. Mas é inusual um magistrado
experiente fazer acerto informal de pensão para entrar no governo. Teve contrato
de gaveta?
Há o
mercado privado de seguros para situações desse tipo.
Por.
Kennedy Alencar.
Blog/EDMILSON
MOURA.

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