Os planos de governo dos principais
presidenciáveis para as eleições de 2026. Apesar da forte polarização na, Eleição Presidencial de 2026 os planos de governo dos principais candidatos apresentam pontos de
convergência em áreas estratégicas como infraestrutura logística, combate
financeiro ao crime organizado, saúde, educação e saneamento básico.
Prontuário Eletrônico no SUS e Saneamento
· Saúde: Todos os principais candidatos apoiam a criação de um prontuário
eletrônico unificado no Sistema Único de Saúde (SUS) para integrar o histórico
de atendimento dos pacientes em todo o país.
· Saneamento Básico: É a área com maior nível de consenso programático, com foco na
universalização dos serviços de água e esgoto por meio de parcerias e
continuidade de metas regulatórias.
Concessões de Ferrovias e Logística
· Infraestrutura: Há forte convergência na priorização do modal ferroviário para reduzir
a dependência do transporte rodoviário no escoamento de cargas.
· Projetos: Os planos mencionam a intensificação de concessões (como no modelo do
Novo PAC ou por meio de ampliação de investimentos privados) e o foco em
grandes malhas logísticas estruturantes, a exemplo da Ferrogrão e da
Transnordestina. []
Educação em Tempo Integral
· Ensino: A ampliação e a consolidação das escolas em tempo integral aparecem de
forma transversal nas diretrizes educacionais dos candidatos mais bem colocados.
Combate a Facções e Asfixia Financeira
· Segurança Pública: Embora haja divergências sobre o grau de endurecimento penal ou o uso
de forças federais, existe um eixo comum voltado à asfixia financeira e ao
desmantelamento das rotas econômicas das facções criminosas.
Veja quais são os temas:
·
Expansão do
ensino em tempo integral
·
Prontuário
eletrônico no SUS
·
Expandir a malha
ferroviária
·
Universalização
do saneamento básico
· Combate as facções criminosas
Expansão do ensino em tempo integral
Dados do Censo Escolar divulgados neste ano pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam que o Brasil tem 26% de matrículas em tempo integral na educação básica. A divisão por etapa de ensino é de 36% na educação infantil, de 21% a 24% no ensino fundamental (entre os anos iniciais e os finais) e de 27% no ensino médio.
Estudantes durante aula em escola da rede municipal de Taubaté (SP) — Foto: Reprodução/TV Vanguarda
Veja as propostas dos candidatos:
Lula: define como "absoluta prioridade" em um
eventual novo mandato a expansão da educação em tempo integral. Cita apoio a
municípios com o Novo PAC como ação feita no atual governo e "a
expectativa é que a ampliação dessa modalidade se acelere".
Flávio Bolsonaro: plano de governo diz apoiar a
escola em tempo integral para as crianças terem "mais tempo de
aprendizado, reforço e atividades formativas". Também cita creche em tempo
integral. Promete, ainda, manter escolas abertas nas férias para oferecer
"esporte, arte, música e literatura" aos alunos "em vez de
deixar a criança ociosa".
Ronaldo Caiado: promete priorizar a escola de tempo integral
com "esporte, cultura, projeto de vida, ciência e apoio aos estudantes,
não mera permanência física". Ampliação de vagas será priorizada na
educação infantil, anos finais e ensino médio "em territórios
vulneráveis".
Renan Santos: proposta defende seguir
"o melhor exemplo de elevação da educação básica" ao tratar do Ceará,
que possui quase 90% das escolas públicas com ensino em tempo integral. Será
criado um grupo de trabalho para implementar o exemplo ao nível nacional,
conforme o documento.
Augusto Cury: define em seu programa de governo que "não existe nação desenvolvida sem educação de excelência em tempo integral". Seu projeto prevê um "clube de desenvolvimento humano" nestas escolas com espaço para debates, teatro, música, esportes, eventos culturais, ambientes de convivência e interação e "práticas de elogio mútuo".
Romeu Zema: ex-governador
de Minas Gerais defende ampliar a oferta de ensino integral com financiamento e
parcerias com organizações privadas, "condicionadas a critérios de
qualidade e resultados educacionais".
Prontuário eletrônico no SUS
A expansão online dos sistemas do Sistema Único de Saúde (SUS) ocorreu ao longo dos últimos anos: o prontuário eletrônico existe desde 2016 entre os pacientes da atenção básica; em 2025, surgiu o Prontuário Único do Paciente. Os médicos do SUS têm acesso aos prontuários e históricos de forma online, enquanto o paciente pode acessar pelo aplicativo Meu SUS. No entanto, os candidatos reforçam fazer a integração entre sistemas e ampliar o acesso da população -- e da rede privada.
Ferrovia Transnordestina, em Pernambuco, uma das citadas pelos presidenciáveis — Foto: Reprodução/TV Globo
Veja as propostas dos candidatos:
Lula: cita o Novo PAC para, entre outras ações,
intensificar as concessões de ferrovias, tanto projetos novos quanto de
contratos que já existem. Não cita exemplos de quais projetos são prioritários
neste tema.
Flávio Bolsonaro: plano de governo promete
investir R$ 900 bilhões em quatro anos no setor de logística e transporte, com
as ferrovias dentro do projeto. Cita, entre outros, especificamente a Ferrogrão
(entre Pará e Mato Grosso) e a Transnordestina (entre Piauí e Ceará).
Ronaldo Caiado: candidato cita "organizar
ferrovias" e priorizar obras estruturantes como a Ferrogrão,
Transnordestina, Ferrovia Norte-Sul, a Fiol (leste-oeste, da Bahia até Goiás),
entre outras. Projeto prevê concessões para a iniciativa privada.
Renan Santos: projeta a expansão da malha ferroviária
com "mobilização do capital privado" com concessões e um novo regime
de autorização ferroviária (que não é detalhado). Meta mínima de aumentar em 10
mil km a malha ferroviária ao finalizar Ferrogrão, Fiol e Ferrovia
Transoceânica, que começa na Bahia e cruza até o Peru, ligando os oceanos
Atlântico e Pacífico.
Augusto Cury: proposta para modernização da logística
nacional inclui as ferrovias como parte da "espinha dorsal da economia
brasileira". Candidato propõe criar cinco corredores estratégicos de
exportação no Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Romeu Zema: programa de governo defende ampliar e modernizar a malha ferroviária e cita Ferrogrão, Fiol e novas concessões entre as prioridades para "reduzir os custos do transporte". Cita, também, a integração com os portos e rodovias para escoar a produção.
Obra de expansão do
acesso a saneamento no Ceará — Foto: Divulgação
Ampliar a oferta de saneamento básico
Tema com maior
convergência entre a maior parte dos candidatos. País tem hoje 321 dos 5.571
municípios (6%) dentro da meta de universalização do acesso ao esgoto, enquanto
3.774 cidades (68%) definiram metas para o esgotamento sanitário, conforme
dados da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). O país
registrou recorde de investimentos no setor desde a criação do Marco Legal do
Saneamento, em 2018. Meta é universalizar o acesso até 2033.
Combate as facções criminosas
Enquanto o saneamento é o tema com mais convergência, o combate às facções criminosas é o que tem menos. A presença dos grupos criminosos atingiu 70 milhões de brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Datafolha. Na Amazônia Legal, quase metade dos municípios tem a presença de facções criminosas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os presidenciáveis concordam que é necessário enfrentar o crime organizado, mas apresentam abordagens que variam entre si.
Veja as propostas dos candidatos:
Lula: cita a Lei Antifacção, sancionada em 2026, como
ação do atual governo e defende manter a "estratégia de asfixia financeira
do crime organizado" com ações articuladas no combate às facções. Promete
liderar "procedimentos jurídicos mais ágeis" para punir criminosos e
criar medidas rígidas para "barrar candidaturas de indivíduos ligados ao
crime organizado".
Flávio Bolsonaro: promete declarar facções
criminosas e milícias como organizações narcoterroristas, combater com
"força, inteligência e integração" e bloquear ativos para
desarticular a lavagem de dinheiro "que sustenta as facções". Fala
que as forças de segurança vão abater "bandido armado com fuzil".
Ronaldo Caiado: candidato defende criar lei
para classificar as facções e milícias como "terroristas domésticos"
e usar as Forças Armadas no combate aos grupos. Pretende criar um conselho para
combater o terrorismo doméstico com participação dos estados e um sistema
integrado para facilitar "o asfixiamento financeiro" do crime.
Renan Santos: propõe declarar "uma
grande guerra ao crime" com o Direito Penal do Inimigo (DPI), uma série de
decretos de Estados de Defesa em áreas dominadas pelas facções. Promete retirar
os direitos políticos, civis e restringir a liberdade de associados às facções;
banir o uso de símbolos dos grupos; a dissolução de entidades infiltradas pelo
crime; e a "inversão do ônus da prova" no confisco de bens — ou seja,
presumir que é ilícito até comprovação contrária.
Augusto Cury: considera as organizações
criminosas "uma das maiores ameaças do Estado brasileiro" e defende
implementar de forma "efetiva" o Sistema Único de Segurança Pública
(SUSP) para combatê-las. Fala em compartilhar inteligência e recursos da União
com Estados e Municípios para atuar "não apenas no confronto físico, mas
no corte das vias financeiras que sustentam as facções".
Romeu Zema: defende enquadrar como terroristas as facções criminosas, usar Força Nacional e Forças Armadas no combate aos grupos, isolar membros das facções e "secar a fonte de dinheiro que mantém as facções vivas" com ampliação da fiscalização sobre empresas usadas para lavagem de dinheiro.
Fonte: G1












