A corrida para o Palácio dos Leões em 2026 já começou a redesenhar o mapa de influências no Maranhão. O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao cargo em março para consolidar sua pré-candidatura ao Governo, vem erguendo um palanque que mistura fôlego eleitoral com figuras carimbadas — e polêmicas — da política do interior.
Sem grupo sólido no interior, o ex-prefeito da capital tem aparecido ao lado de clãs decadentes e políticos que colecionam processos na mesma proporção em que perdem votos.
Na “Arca de Noé” de Braide, o que não falta é passageiro com bagagem pesada.
Em Timon: A foto de Braide é com Luciano Leitoa, ex-prefeito e filho do veterano Chico Leitoa. Mas não se engane: em Timon, o grupo Leitoa é um só. Luciano tenta emprestar um ar de juventude à aliança, mas carrega consigo o desgaste de décadas de um grupo familiar marcado por condenações de improbidade e desvios de recursos federais que assombram o pai, Chico, desde os anos 90.

Histórico Chico Leitoa
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) reformou sentença de primeira instância e condenou o ex-prefeito de Timon, Chico Leitoa, por improbidade administrativa. A decisão da 1ª Câmara Cível baseou-se em fraude comprovada no procedimento licitatório para obras no Centro Tecnológico de Timon, no valor de R$ 100 mil. O desembargador relator, Kléber Carvalho, destacou que houve “nítida fraude” e simulação para impedir a participação de outros concorrentes.
Em Caxias: O registro ao lado de Paulo Marinho Jr. é outro exemplo da “maquiagem” política de Braide. Paulinho, como é conhecido, é o preposto político de Paulo Marinho (pai), figura que recentemente foi condenada pela Justiça a devolver a astronômica quantia de R$ 52 milhões aos cofres públicos. Ao abraçar o filho, Braide abraça automaticamente o histórico do pai, que é o símbolo vivo da política que o Maranhão quer deixar para trás.

Histórico de Paulo Marinho (pai)
A trajetória de Paulo Marinho pai é um compêndio de problemas com a Justiça, que vão do desvio de dinheiro público a crimes humanitários:
Condenação milionária (2025): Recentemente, a Justiça condenou o ex-prefeito a devolver R$ 52 milhões aos cofres de Caxias por apropriação indébita (reter impostos como INSS e IRRF dos servidores e não repassar) e licitações fraudulentas.
Acusação de trabalho escravo: O empresário foi denunciado por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão, crime que chocou a opinião pública e levanta sérios questionamentos éticos sobre o clã.
Prisões por pensão alimentícia: Paulo Marinho já foi preso mais de uma vez por não pagar pensão. Em uma das ocasiões, o débito chegava a R$ 290 mil, e ele chegou a tentar fugir da Polícia Civil, batendo o carro em um muro.
Grampos clandestinos: Foi condenado a 3 anos e 6 meses de prisão por ser o mandante de escutas telefônicas ilegais contra o ministro aposentado do STJ, Edson Vidigal.
Dívidas com o Estado: Responde a ações de execução forçada para pagar multas do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Embora tente se vender como “o novo”, Paulo Marinho Jr. carrega o DNA político e administrativo do pai. Paulinho é associado à extinta Faculdade do Vale do Itapecuru, que fechou as portas deixando uma montanha de dívidas e salários atrasados com ex-colaboradores.
Em Coroatá: A lógica se repete com o grupo de Luís da Amovelar. Braide busca o apoio de quem cresceu politicamente sob a sombra de condenações por desvios na merenda escolar e no FUNDEF.

Histórico Luís da Amovelar
O ex-prefeito de Coroatá acumula derrotas na Justiça que vão desde o desvio de verbas públicas até crimes previstos na Lei Maria da Penha:
Desvio na Educação: Condenado pela Justiça Federal a devolver R$ 1,2 milhão aos cofres públicos. Ele foi acusado de irregularidades graves no uso de verbas do FUNDEF, PNAE (merenda escolar) e PEJA. A investigação da CGU apontou saques em dinheiro sem comprovação de destino, notas fiscais frias e fraudes em licitações.
Inelegibilidade e direitos políticos: teve os direitos políticos suspensos por 8 anos, tornando-se um “ficha-suja” oficial.
Condenação (Trânsito em Julgado): Em 2021, foi condenado novamente por improbidade administrativa devido à falta de prestação de contas de convênios de pavimentação (Sinfra). Esta decisão já não cabe mais recurso, resultando em nova suspensão de direitos políticos por 4 anos e multa.
Denúncia por violência doméstica (Lei Maria da Penha): O Ministério Público denunciou o ex-prefeito por descumprir medida protetiva. Ele é acusado de ignorar uma ordem judicial de não aproximação contra a avó de seu neto, chegando a invadir o condomínio da vítima. O MP pede sua condenação e multa de R$ 10 mil.
O que se vê em 2026 não é uma frente de renovação, mas um consórcio de interesses. Braide, que um dia se apresentou como a alternativa ao sistema, hoje se torna o respirador artificial de grupos que o Maranhão já deveria ter deixado no passado. Ao aceitar o apoio de quem deve à justiça, ao erário e até à família, Braide assume o risco de ser contaminado pelo mofo desses velhos clãs.
A movimentação de Braide é vista como uma tentativa de nacionalizar sua força política, saindo da "zona de conforto" da capital para enfrentar um cenário estadual complexo.
Forte: Blog do Minard.






