Líder nas pesquisas e com voto consolidado, Lula não tem nada a ganhar
ao se expor às agressões de candidatos nanicos.
A proximidade
do calendário eleitoral traz à tona um debate recorrente nas campanhas à
reeleição no Brasil: vale a pena para quem governa o País e lidera as pesquisas
de intenção de voto se expor na arena dos debates de primeiro turno? A
resposta, especialmente no caso do
presidente Lula, sob qualquer análise pragmática e estratégica, é um sonoro não.
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva faz um excelente governo, lidera com folga os
levantamentos eleitorais — registrando 40% das intenções de voto e mantendo
reais possibilidades de liquidação da fatura ainda no primeiro turno — e não
tem absolutamente nada a ganhar ao comparecer a esses encontros.
Aqui estão os motivos
fundamentais pelos quais a ausência do presidente nos debates iniciais é a
decisão mais sensata e estrategicamente correta para o País.
1. Palco para agressões
gratuitas contra quem lidera e governa
Os debates de primeiro turno com múltiplos candidatos há muito
deixaram de ser fóruns de discussão de propostas para o Brasil. Tornaram-se, em
regra, festivais de lacração, recortes para redes sociais e ataques coordenados
contra o líder das pesquisas. O presidente da República, na condição de
candidato à reeleição, viraria vidraça única. Não há sentido em transformar um
estadista em alvo de provocações baratas orquestradas por nanicos agressores da
oposição.
2. Oposição sem propostas e com baixa
qualificação
O quadro de adversários colocados no campo da direita e da
extrema-direita demonstra reduzida densidade de projetos para o desenvolvimento
nacional. Com propostas rasas para a economia, saúde e educação, resta a esses
postulantes apostar no confronto, no tumulto e na apelação. Discutir o futuro
do Brasil exige alto nível; submeter-se a um ambiente de baixaria em nada
agrega ao eleitorado.
3. Exposição desnecessária a
“franco-atiradores”
Nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos participam
do pleito apenas como figurantes. Para esses pré-candidatos, qualquer minuto de
embate direto com o presidente é um prêmio. O incumbente nada ganha ao dar
palco e palanque a figuras que atuam como verdadeiros “franco-atiradores”, cujo
único objetivo na bancada é produzir atrito a custo zero.
4. Deslocamento do foco
de disputa para a própria extrema-direita
Sem a presença de Lula na arena, o centro da gravidade política
nos debates muda drasticamente. Sem o principal alvo para atacar, os holofotes
se voltam para a briga interna no campo da direita. Esses nomes alternativos
passarão a disputar diretamente os votos do eleitorado conservador contra
Flávio Bolsonaro, expondo as divisões e fragilidades do próprio bloco
oposicionista.
5. A sinuca de bico de
Flávio Bolsonaro
A ausência de Lula gera um efeito dominó estratégico. Sem a
confirmação do presidente, o próprio Flávio Bolsonaro tende a declinar da
participação para não virar o alvo principal dos demais candidatos
conservadores. Fora do debate, o senador evita ter de prestar explicações em
rede nacional sobre temas espinhosos e nebulosos que rondam suas alianças e
bastidores, como o ruidoso caso Banco Master e sua amizade milionária com
Daniel Vorcaro.
6. Pragmatismo histórico respaldado por
vitórias passadas
Não há qualquer desrespeito ao processo democrático na escolha
de não ir a debates de primeiro turno. Trata-se de tática política consolidada
na história recente do Brasil. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso optou por não
comparecer aos confrontos do primeiro turno enquanto disputava a reeleição — e
venceu a disputa de forma incontestável.
7. Voto consolidado e nada a perder
A base de apoio a Lula é sólida e seu voto já está consolidado,
refletindo o reconhecimento popular das realizações sociais e econômicas do seu
governo. O eleitorado que sustenta a liderança do presidente já conhece sua
história, sua capacidade de gestão e seu compromisso democrático. O não
comparecimento a um debate ruidoso em nada altera a convicção daqueles que
pretendem votar por sua continuidade.
8. Lula é um grande
estadista frente a “nanicos agressores”
Lula ocupa hoje uma posição de liderança internacional e de
pacificadora representatividade nacional. Colocá-lo lado a lado em igualdade de
tempo com figuras inexpressivas ou vocacionadas para a lacração nas redes
diminui a estatura do debate presidencial. Ao não participar de espetáculos de
baixo nível, um grande estadista preserva a instituição da Presidência da
República e não se rende à lógica de confrontos menores.
9. O momento certo para
o debate: o segundo turno
A democracia e o respeito ao eleitor não serão negligenciados.
Caso a eleição se desdobre em um segundo turno, aí sim a presença de Lula será
indispensável. Em um confronto direto, mano a mano, com igualdade de tempo e
regras claras, o presidente terá a oportunidade perfeita para comparar
projetos, apresentar seu legado e desmascarar em definitivo as propostas da
extrema-direita representada por Flávio Bolsonaro.
Portanto, preservar a liderança do governo, focar na entrega de resultados ao povo brasileiro e evitar o circo de agressões gratuitas não é apenas uma estratégia de campanha inteligente — é uma atitude de responsabilidade política. No primeiro turno, o lugar do presidente é junto à população nas ruas. Os debates que esperem o segundo turno – se houver, é claro.





