A gestão de Eduardo Braide (2021-2026) na Prefeitura de
São Luís foi marcada por intensos contrastes entre anúncios de grandes
investimentos e severas críticas à manutenção de serviços essenciais. Ao final
do seu ciclo, em março de 2026, quando renunciou para concorrer ao governo do
Maranhão, o saldo da administração concentrou-se em três pilares principais:
1. Transporte Público:
Colapso e Greves Recorrentes
·
Crise
Estrutural: O
sistema de transporte coletivo enfrentou uma crise persistente, com relatos de
redução de frota, atrasos e superlotação.
·
Greves: Ocorreram diversas paralisações dos
rodoviários, resultando em interrupções totais do serviço.
·
Subsídios
e Passagem:
Braide manteve a política de não aumentar a tarifa, assumindo o pagamento de
subsídios às empresas, o que gerou impasses, com o Sindicato das Empresas de
Transporte (SET) alegando colapso devido ao congelamento dos repasses.
·
Medidas
de Contorno:
Diante da crise, a prefeitura utilizou alternativas como vouchers de
aplicativos de transporte, que enfrentaram problemas de suspensão e relatos de
falhas. Em dezembro de 2025, Braide iniciou processo de caducidade contra uma
empresa por descumprimento contratual.
2. Infraestrutura e
Alagamentos: "Cidade Sob as Águas"
·
Pontos
Críticos:
Relatos da população apontam alagamentos severos, com água entrando em casas,
especialmente em períodos chuvosos, como na região da Unidade 105.
·
Manutenção: Críticos relataram falta de ações
preventivas na rede de drenagem, com a prefeitura, por vezes, atribuindo o
problema ao descarte irregular de lixo.
·
Investimentos: A gestão assinou diversas ordens de serviço,
como no bairro São Bernardo, e lançou o programa "São Luís se
Transforma", anunciado como o maior pacote de obras da história da cidade.
3. Saúde: Discurso vs.
Realidade
·
Denúncias
e Críticas: A
saúde pública enfrentou críticas, com denúncias sobre a situação de hospitais
municipais.
· Promessas e Ações: O plano de governo incluía a entrega do Novo Socorrão II e a ampliação da Rede de Clínicas da Família. A gestão promoveu a contratação de novos médicos e ações de vacinação.
Por trás de cada “story” bem editado, com trilha sonora
motivacional e cortes rápidos de drones, existe uma São Luís que não cabe no
feed. A capital maranhense, sob a égide de Eduardo Braide, viveu um fenômeno
curioso de física política: a matéria se transformava conforme a tela que a
exibia. Se no Instagram as escolas reluziam com tintas frescas, no mundo real o
teto desabava sobre o futuro dos alunos. Se no vídeo o asfalto das avenidas
principais parecia um tapete, nos bairros de periferia o cidadão ainda aprende
a nadar para chegar em casa.
Eduardo Braide não foi
apenas um prefeito; foi um influencer sentado
na cadeira do Executivo. Sua gestão foi o triunfo da maquiagem sobre a
manutenção, do paliativo sobre o estrutural. O “Sanduíche de Braide”, como muitos
apelidaram, servia uma embalagem gourmet para um recheio escasso.
O colapso do transporte público é, talvez, o monumento
mais honesto dessa herança. Enquanto a prefeitura despejava 18 milhões de reais
em poucos dias para a “solução” improvisada de carros de aplicativo durante as
greves, o sistema de ônibus definhava em sucata e contratos rompidos
judicialmente. O passageiro de São Luís, que espera horas em paradas
desabrigadas, sabe que o subsídio não resolve a dignidade de quem depende de um
consórcio que faliu aos olhos do poder público.
Na saúde, o roteiro se repetiu. A reforma do Socorrão,
celebrada com fogos digitais, sucumbiu à primeira chuva forte. O alagamento
interno da unidade foi o batismo da realidade sobre a propaganda: de nada vale
a fachada nova se o corredor continua sendo o leito final de quem não encontra
insumos ou atendimento. O resultado? O transbordo humano para o Estado,
transformando a gestão municipal em uma passarela de transferências de
responsabilidade.
E o que dizer de quem garante a ordem? A Guarda Municipal,
hoje, é o retrato da precarização. Servidores desarmados em zonas de risco,
viaturas sem sirenes e o fantasma da retaliação pairando sobre quem ousa
denunciar perdas salariais. Braide tratou a segurança como um figurante de luxo
em seus vídeos, mas deixou para trás uma tropa que clama por estrutura básica
para não virar estatística.
Agora, o ex-prefeito mira o Palácio dos Leões. A
estratégia é clara: levar o “modelo São Luís” para todo o Maranhão. O perigo,
contudo, é que um estado não se governa com filtros de embelezamento. Problemas
de drenagem, que engolem milhões em obras invisíveis na primeira tempestade,
não são resolvidos com edição de vídeo. Direitos de professores não se pagam
com curtidas.
O brilho da tela apagou e o que sobrou foi o buraco no
bairro, o ônibus que não vem e o teto que caiu. Eduardo Braide deixou a
prefeitura com o saldo de quem soube vender uma cidade que só existia na nuvem.
Para o Maranhão, fica o alerta: o espetáculo pode até ser bonito, mas quando as luzes se apagam e o filtro sai, a realidade costuma cobrar um preço alto demais.









