Fraca, desestimulada e sem um político de expressão como referência, a oposição em Bacabal respira por aparelhos, sem nenhuma perspectiva de dias melhores. O pior não é isso! A tendência é que fique pior, pois, no desespero, há quem se aventure em projeto natimorto, sem chance de prosperar.
Me refiro a Marcos Miranda, empresário que reside em Bom Lugar, município que administrou de 2005 a 2008, passando em seguida a responder judicialmente por uma série de ilícitos que, segundo as investigações, causou graves danos ao erário público.
Acusações
Segundo apurou o Ministério Público do Maranhão, o ex-prefeito e pelo menos três assessores cometeram os seguintes atos de improbidade:
1 – Pagamento indevido, com recursos do Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE), de despesas com combustíveis;
2 – Estado precário de conservação dos veículos escolares;
3 – Falta de disponibilização dos processos licitatórios referentes às aquisições de gêneros alimentícios nos exercícios de 2007 e 2008;
4 – Comprovação de despesas com notas fiscais inidôneas quando da aquisição de gêneros alimentícios;
5 – Evidências de simulação de processos licitatórios;
6 – Realização de contratos de locação de veículos sem o devido processo licitatório;
7 – Contratos de locação de veículos acima do valor de mercado;
8 – Contratos de locação de veículos onerados por serviços de manutenção e abastecimento dos mesmos;
9 – Pagamento de R$ 399.555,09 por serviços não realizados, referentes a reformas de escolas;
10 – Indícios de desvio de recursos públicos com suposto pagamento por serviços não prestados;
11 – Comprovação de despesas com a Educação no valor total de R$ 1.830.550,90 com notas fiscais inválidas.e
Desde então, impedido de concorrer a cargos eletivos, Marcos Miranda tem tentado sem sucesso recuperar seus direitos políticos e, durante esse tempo, se mantém no cenário financiando candidaturas de aliados e, mais recentemente, da esposa, prefeita de Bom Lugar desde 2021.
Mecenas
Ainda assim, de algum tempo para cá, aqueles que insistem em soerguer a oposição em Bacabal passaram a recriar na figura de Marcos Miranda alguém que tope bancar do próprio bolso os custos de uma disputa eleitoral contra o grupo da situação. Apesar dos burburinhos em torno da sua pré-candidatura, tida por alguns dos seus adeptos como pura farsa, bate-estaca, ele nunca se pronunciou publicamente sobre o assunto, muito embora financie refugos das terceira e quarta prateleiras da política local.
Ficha suja
Para piorar, os profissionais responsáveis pela promoção pessoal de Marcos Miranda exageram na dose e passaram a tentar associar a imagem dele à de Zé Vieira. De fato, há de se admitir que os dois se parecem em alguns pontos: foram prefeitos e se tornaram inelegíveis, e é só.
Zé Vieira escreveu uma história de sucesso: eleito a vereador, deputado federal, e a prefeito três vezes, na última delas concorrendo sub judice (com recurso pendente de julgamento) e vindo a assumir em razão de uma liminar concedida pelo então presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, garantindo o exercício do mandato até que o plenário da Corte decidisse o recurso.
Além disso, Zé Vieira moveu numerosos recursos na Justiça Comum e na Justiça Eleitoral que tentavam reverter a sua inelegibilidade
No entanto, em 19 de junho de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por unanimidade, a decisão da Justiça Eleitoral maranhense que indeferiu o registro da candidatura.
Fundamentos do relator
Em seu voto, o relator do processo no TSE, ministro Luiz Fux, apontou que a existência ou não do trânsito em julgado da condenação por improbidade é irrelevante para efeitos eleitorais. Segundo ele, estão claras as condições de inelegibilidade apontadas na alínea “l” do Artigo 1º, inciso I da Lei 64/90, conforme foi apontado no julgamento do TRE-MA: condenação por improbidade, suspensão dos direitos políticos, ato doloso de improbidade, lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
Ao encaminhar o seu voto, o relator recomendou a revogação da liminar que mantinha Vieira Lins no cargo de prefeito, e determinou a realização de eleição suplementar.
Chover no molhado
Então, se tem mesmo coragem, peito e aquilo roxo, Marcos Miranda pode se utilizar da mesma manobra e, obtendo sucesso nas urnas, no futuro ter algo a mais que se assemelha ao histórico político do "osso duro de roer"
Fundo de quintal
Para finalizar, cito mais uma trapalhada dos defensores do nome de Marcos Miranda como candidato a prefeito. No afã de inflar seu ego e convencê-lo a gastar mais dinheiro, criaram uma falsa pesquisa em que o mecenas aparece na segunda colocação, atrás do deputado Roberto Costa.
Na mesma falsa consulta há outros nomes, e o interessante é que somadas as pontuações dos que integram o atual governo, superam os 50% da preferência popular, o que mostra quão patéticas são as estratégias daquilo que restou da oposição.
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