Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Lula (Foto:
Ricardo Stuckert / PR I Agência Senado I Brasil 247 I Dirceu Aurélio / Imprensa
MG )
Levantamento aponta avanço de Lula, desgaste de Flávio
Bolsonaro e fragmentação entre candidatos da direita e centro-direita.
A pesquisa Quaest divulgada dia 10.06.2026, revela que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem na corrida presidencial de 2026,
enquanto a direita continua sem conseguir consolidar uma alternativa
competitiva ao bolsonarismo. Os números mostram que, apesar do desgaste
enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nenhum outro nome do campo
conservador conseguiu transformar esse enfraquecimento em crescimento eleitoral
consistente. As informações são do G1.
De acordo com o levantamento, Lula lidera a disputa de primeiro turno
com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo
lugar, com 29%, abrindo uma diferença de dez pontos percentuais.
Lula amplia vantagem na corrida presidencial
A pesquisa indica que o cenário eleitoral permanece marcado pela
polarização entre lulismo e bolsonarismo. Mesmo com a perda de fôlego de Flávio
Bolsonaro, os demais nomes da direita e da centro-direita seguem distantes dos
dois principais concorrentes.
Somados, os candidatos que tentam ocupar o espaço de uma terceira via
dentro do campo conservador alcançam apenas 12% das intenções de voto. O
resultado evidencia a dificuldade de construção de uma candidatura capaz de
romper a atual polarização.
Entre os nomes avaliados, Renan Santos (Missão) aparece com 3% das
intenções de voto, empatado numericamente com o ex-governador de Goiás, Ronaldo
Caiado (PSD).o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o deputado
federal Aécio Neves (PSDB), testado pela primeira vez pela Quaest, registram 2%
cada. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente
empatados.
Escândalos e economia influenciam cenário
A pesquisa de junho foi realizada após a divulgação de mensagens nas
quais Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para
financiar o filme "Dark Horse", produção sobre Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, três fatores ajudam a explicar
a ampliação da vantagem de Lula. Entre eles estão a repercussão negativa da
atuação de Flávio no episódio envolvendo o Banco Master, os efeitos políticos
decorrentes de medidas anunciadas pelos Estados Unidos após encontro do senador
com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e a melhora da avaliação
do governo federal.
De acordo com o diretor da Quaest, medidas econômicas como a ampliação
da faixa de isenção do Imposto de Renda e o programa Desenrola contribuíram
para fortalecer a percepção positiva do governo entre os eleitores.
Flávio Bolsonaro lidera oposição, mas enfrenta limites
Apesar das dificuldades recentes, Flávio Bolsonaro continua sendo o
principal nome da oposição nacional, segundo a pesquisa. "Flávio está
tendo, sim, dificuldade de fazer isso. A pesquisa mostra que ele continua sendo
o principal nome da direita, mas não conseguiu transformar isso em hegemonia
dentro do campo oposicionista", afirmou Felipe Nunes.
O diretor da Quaest avalia que o sobrenome Bolsonaro garante ao senador
uma base eleitoral sólida, mas também impõe limites à sua capacidade de
expansão. "O primeiro desses motivos é que ele carrega o sobrenome
Bolsonaro, o que dá para ele um piso, mas também impõe para ele um teto. O
segundo é que os demais nomes da direita ainda não têm força nacional
suficiente nem conhecimento para substituí-lo", disse.
Para Nunes, a direita enfrenta atualmente uma contradição estratégica.
"O que a pesquisa evidencia é que a direita hoje vive um paradoxo. Flávio
está enfraquecido para unificar, mas os outros são fracos demais para ocupar
esse espaço", resumiu.
Independentes migram para Lula
Os dados por segmento do eleitorado reforçam esse diagnóstico. Entre os
bolsonaristas, Flávio concentra 94% das intenções de voto, herdando
praticamente sozinho o capital político associado ao ex-presidente Jair
Bolsonaro.
Já entre os eleitores de direita que não se identificam
com o bolsonarismo, a distribuição é mais fragmentada. Flávio lidera com 59%,
enquanto Renan Santos registra 11%, superando numericamente Lula, com 10%, e
Caiado, com 6%. "O bolsonarismo continua firme com Flávio, mas a direita
não bolsonarista aparece bem menos adepta a ele no primeiro turno", observou
Felipe Nunes.
Entre os eleitores independentes, considerados decisivos em uma
eventual eleição presidencial, Lula aparece com 28% das intenções de voto,
contra 14% de Flávio Bolsonaro. Caiado registra 6%, enquanto Aécio Neves
alcança 4%.
Em uma simulação de segundo turno, Lula vence Flávio entre os
independentes por 37% a 24%. Além disso, 30% dos entrevistados afirmam que não
votariam em nenhum dos dois candidatos. Segundo Felipe Nunes, a principal
mudança observada pela pesquisa ocorreu justamente nesse grupo. "A mudança
mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por
Lula", concluiu.
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