O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Brasil e líder no Norte e Nordeste, iniciou uma ampla reestruturação operacional que já resultou na demissão de cerca de 6,6 mil funcionários e no fechamento de dezenas de unidades consideradas pouco rentáveis. O movimento marca uma das maiores reorganizações da história recente da companhia fundada pelo empresário Ilson Mateus. O anúncio foi feito na última sexta-feira, 15, quando foi apresentado o lucro bruto somou R$ 2,15 bilhões, crescimento de 16,1%.
Os desligamentos ocorreram principalmente nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, atingindo aproximadamente 14% do quadro total de colaboradores da empresa. Antes das medidas, o grupo mantinha cerca de 47,9 mil funcionários. Após os cortes, esse número caiu para aproximadamente 41,2 mil trabalhadores.
Além das demissões, o Grupo Mateus também acelerou o
fechamento de operações com baixo desempenho, sobretudo no segmento de
eletrodomésticos e varejo tradicional, lojas do Eletro Mateus e Armazém Pet
entraram na lista. Segundo informações do mercado financeiro, ao menos 28 lojas
foram encerradas ao longo do processo de reorganização iniciado ainda em 2025.
No entanto, o Grupo Mateus segue 306 unidades em operação e 18
centros de distribuição.
A empresa atribui as medidas à necessidade de aumentar
eficiência operacional diante de um cenário econômico mais desafiador. O setor
supermercadista vem enfrentando desaceleração do consumo, aumento de custos
logísticos, juros elevados e forte concorrência no atacarejo, segmento dominado
atualmente por gigantes como Assaí, Atacadão e Carrefour.
Durante teleconferência com investidores, executivos do Grupo
Mateus afirmaram que os cortes fazem parte de um “ajuste cirúrgico” para
preservar margens de lucro e melhorar a produtividade das operações. Em uma das
declarações repercutidas pelo mercado, Ilson Mateus afirmou que “se reduz
demais é problema, se reduz de menos fica com despesa”.
Apesar da forte redução no quadro de pessoal, o grupo segue como
uma das maiores forças econômicas do Nordeste. A companhia possui centenas de
operações entre supermercados, atacarejos, centros de distribuição e lojas de
varejo, mantendo presença estratégica em diversos estados da região.
Especialistas avaliam que o impacto social das demissões pode
ser significativo, principalmente em cidades do interior, onde o Grupo Mateus
figura entre os maiores empregadores privados. Economistas alertam que cortes
dessa magnitude afetam diretamente renda, consumo local e arrecadação
municipal.
No mercado financeiro, a reestruturação é vista com cautela.
Parte dos analistas considera que a redução de custos pode melhorar os
resultados da empresa no curto prazo. Outros avaliam que o fechamento de lojas
e o encolhimento da operação revelam uma desaceleração mais profunda do consumo
regional.
Nos últimos anos, o Grupo Mateus foi símbolo de expansão acelerada no varejo brasileiro, especialmente após sua abertura de capital na Bolsa de Valores em 2020. Agora, a companhia entra em uma nova fase, marcada menos pela expansão e mais pela busca de eficiência operacional e controle de despesas.
Motivos por trás das
mudanças
O plano de reestruturação do Grupo Mateus foi
motivado pela necessidade de reequilibrar custos, pois as despesas operacionais
vinham subindo em ritmo superior à receita. Entre as principais causas
apontadas pela diretoria em seus relatórios estão:
Pressão
no orçamento familiar e consumo mais seletivo.
Queda no preço dos alimentos (deflação alimentar), o que diminuiu o valor nominal das vendas nas mesmas lojas.
Impactos da rápida expansão física dos últimos anos, que exigiu a revisão de ativos e redução de quase 14% no quadro de funcionários.
Para acompanhar a saúde financeira da empresa e os próximos passos do plano de eficiência da diretoria, é possível verificar os relatórios oficiais publicados no Portal de Relações com Investidores do Grupo Mateus.

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