sábado, 21 de março de 2026

MARANHÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO MARANHÃO PEDE AFASTAMENTO DE VICE-GOVERNADOR DO POR SUSPEITA DE LAVAGEM DE DINHEIRO.

Vice-governador, Felipe Camarão.

O procurador-geral de Justiça do Maranhão Danilo José de Castro Ferreira pediu o afastamento imediato, por meio de decisão em caráter liminar, do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), por suposta ligação com um esquema de lavagem de dinheiro, movimentação atípica de valores milionários e crimes contra a administração pública. O petista criticou o vazamento da investigação, que, segundo ele, tem “objetivo eleitoreiro” e disse que não aceitará “perseguição política travestida de atuação institucional”.

O pedido do procurador-geral foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão. De acordo com documento obtido pelo Estadão, Camarão teria usado parentes e policiais militares de sua segurança para captar R$ 6,3 milhões e outros R$ 4,7 milhões em imóveis de luxo em São Luís. Ferreira sustenta que o petista se beneficiou de uma rede de “laranjas” para ocultar transferências milionárias via Pix. Segundo ele, o dinheiro que circulou na conta ligada a Camarão não é salário, mas tem origem em “receitas de outra natureza”, sendo incompatível com a renda declarada. O procurador também pediu ao tribunal que seja apurado quem vazou as informações protegidas por sigilo judicial.

Pelo Instagram, Camarão afirmou ter recebido “com indignação o vazamento criminoso do suposto pedido de afastamento”. Ele disse que nunca teve acesso ou ciência à investigação em que se baseou a manifestação do procurador-geral e disse que o procedimento tem “clara finalidade de exposição seletiva e constrangimento público”.

O petista apontou “estranheza” na suposta proximidade de Ferreira com Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão, do qual é vice, mas com quem rompeu no fim de 2025. Camarão afirmou que vai entrar com medidas judiciais para que seja investigado um “possível aparelhamento” da PGJ.

“Minha trajetória pública ilibada de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. O Maranhão não pode retroceder a um tempo em que instituições eram aparelhadas para fins de pressão política”, acrescentou Camarão.

Atritos políticos

O pedido de afastamento vem em meio aos atritos políticos entre a ala vinculada ao governador Carlos Brandão (sem partido) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, ex-chefe do Executivo maranhense. Ligado ao magistrado, Camarão atuou no secretariado nos dois mandatos em que Dino comandou o governo.

Os dois grupos disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Executivo estadual. Este mês, Carlos Brandão se antecipou à definição da chancela petista e lançou a pré-candidatura ao governo do sobrinho Orleans Brandão (MDB), de quem deseja alavancar a imagem como seu sucessor. Foi um novo ponto de tensão com aliados de Dino, cujos apoiadores buscam consolidar a candidatura de Felipe Camarão.

Pelas redes sociais, este mês, Camarão publicou imagens de Brandão num ato político do passado para rebater as alegações do governador de que nunca houve acordo pela sua candidatura. O vice afirmou que o chefe do Executivo maranhense desrespeitou um acordo com o PT Nacional.

“Só vencemos por causa de Lula/PT (garantido por eu ser o vice) e pela força/popularidade de Flávio Dino. Ocorre que será DESCUMPRIDO por razões familiares, por causa do programa segundo emprego para o sobrinho e pela traição ao povo do Maranhão. Da minha parte, só posso pedir desculpas por ter ajudado a eleger a neo oligarquia e dizer ao povo: SERÃO DERROTADOS EM OUTUBRO!”, escreveu Camarão, em postagem no Instagram.

INVESTIGAÇÃO ENVOLVE RELATÓRIOS FINANCEIROS E MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS

A apuração teve origem em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificaram indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas. Entre os pontos analisados estão repasses, depósitos em espécie e transferências envolvendo diversos beneficiários.

Dados levantados pelo Ministério Público indicam que, no período investigado, o vice-governador teria recebido cerca de R$ 1,72 milhão em créditos salariais, além de R$ 4,64 milhões provenientes de outras origens. Também foram identificados 230 depósitos sem origem declarada, além de aproximadamente R$ 360 mil em valores fracionados.

É importante ressaltar que a investigação está em andamento e que não há, até o momento, decisão judicial definitiva, nem condenação dos citados, prevalecendo o princípio da presunção de inocência.

CENÁRIO POLÍTICO NO MARANHÃO GANHA NOVA TENSÃO

O caso surge em um momento de atenção no cenário político do Maranhão, onde movimentações institucionais e disputas políticas já vinham sendo observadas nos bastidores.

A eventual decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão sobre o afastamento pode impactar diretamente o funcionamento do Executivo estadual, além de influenciar articulações políticas e alianças futuras.

Especialistas apontam que situações como essa tendem a gerar:

Repercussão institucional entre os poderes

Pressão por transparência e prestação de contas

Reorganização de forças políticas dentro do estado

Ao mesmo tempo, o caso também reforça o papel dos órgãos de controle na fiscalização de agentes públicos e no combate a possíveis irregularidades.

CASO SEGUE EM APURAÇÃO

Até o momento, não houve manifestação pública detalhada da defesa do vice-governador sobre os pontos apresentados no pedido. O processo segue sob análise do Tribunal de Justiça do Maranhão, que deverá decidir sobre o afastamento cautelar.

A situação continua em desenvolvimento e pode ter novos desdobramentos a qualquer momento, com impacto direto no cenário político do Maranhão.

A população acompanha o caso com atenção, enquanto novas informações podem ser divulgadas conforme o avanço das investigações no estado.


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MARANHÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO MARANHÃO PEDE AFASTAMENTO DE VICE-GOVERNADOR DO POR SUSPEITA DE LAVAGEM DE DINHEIRO.

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