quarta-feira, 13 de maio de 2026

SÃO LUIS-MA: O SALDO REAL DA ERA BRAIDE: TRANSPORTE FALIDO, SAÚDE PRECÁRIA E A CIDADE SOB AS ÁGUAS.

Foto Reprodução

A gestão de Eduardo Braide (2021-2026) na Prefeitura de São Luís foi marcada por intensos contrastes entre anúncios de grandes investimentos e severas críticas à manutenção de serviços essenciais. Ao final do seu ciclo, em março de 2026, quando renunciou para concorrer ao governo do Maranhão, o saldo da administração concentrou-se em três pilares principais:

1. Transporte Público: Colapso e Greves Recorrentes

·         Crise Estrutural: O sistema de transporte coletivo enfrentou uma crise persistente, com relatos de redução de frota, atrasos e superlotação.

·         Greves: Ocorreram diversas paralisações dos rodoviários, resultando em interrupções totais do serviço.

·         Subsídios e Passagem: Braide manteve a política de não aumentar a tarifa, assumindo o pagamento de subsídios às empresas, o que gerou impasses, com o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) alegando colapso devido ao congelamento dos repasses.

·         Medidas de Contorno: Diante da crise, a prefeitura utilizou alternativas como vouchers de aplicativos de transporte, que enfrentaram problemas de suspensão e relatos de falhas. Em dezembro de 2025, Braide iniciou processo de caducidade contra uma empresa por descumprimento contratual.

2. Infraestrutura e Alagamentos: "Cidade Sob as Águas"

·         Pontos Críticos: Relatos da população apontam alagamentos severos, com água entrando em casas, especialmente em períodos chuvosos, como na região da Unidade 105.

·         Manutenção: Críticos relataram falta de ações preventivas na rede de drenagem, com a prefeitura, por vezes, atribuindo o problema ao descarte irregular de lixo.

·         Investimentos: A gestão assinou diversas ordens de serviço, como no bairro São Bernardo, e lançou o programa "São Luís se Transforma", anunciado como o maior pacote de obras da história da cidade.

3. Saúde: Discurso vs. Realidade

·         Denúncias e Críticas: A saúde pública enfrentou críticas, com denúncias sobre a situação de hospitais municipais.

·         Promessas e Ações: O plano de governo incluía a entrega do Novo Socorrão II e a ampliação da Rede de Clínicas da Família. A gestão promoveu a contratação de novos médicos e ações de vacinação.

Por trás de cada “story” bem editado, com trilha sonora motivacional e cortes rápidos de drones, existe uma São Luís que não cabe no feed. A capital maranhense, sob a égide de Eduardo Braide, viveu um fenômeno curioso de física política: a matéria se transformava conforme a tela que a exibia. Se no Instagram as escolas reluziam com tintas frescas, no mundo real o teto desabava sobre o futuro dos alunos. Se no vídeo o asfalto das avenidas principais parecia um tapete, nos bairros de periferia o cidadão ainda aprende a nadar para chegar em casa.

Eduardo Braide não foi apenas um prefeito; foi um influencer sentado na cadeira do Executivo. Sua gestão foi o triunfo da maquiagem sobre a manutenção, do paliativo sobre o estrutural. O “Sanduíche de Braide”, como muitos apelidaram, servia uma embalagem gourmet para um recheio escasso.

O colapso do transporte público é, talvez, o monumento mais honesto dessa herança. Enquanto a prefeitura despejava 18 milhões de reais em poucos dias para a “solução” improvisada de carros de aplicativo durante as greves, o sistema de ônibus definhava em sucata e contratos rompidos judicialmente. O passageiro de São Luís, que espera horas em paradas desabrigadas, sabe que o subsídio não resolve a dignidade de quem depende de um consórcio que faliu aos olhos do poder público.

Na saúde, o roteiro se repetiu. A reforma do Socorrão, celebrada com fogos digitais, sucumbiu à primeira chuva forte. O alagamento interno da unidade foi o batismo da realidade sobre a propaganda: de nada vale a fachada nova se o corredor continua sendo o leito final de quem não encontra insumos ou atendimento. O resultado? O transbordo humano para o Estado, transformando a gestão municipal em uma passarela de transferências de responsabilidade.

E o que dizer de quem garante a ordem? A Guarda Municipal, hoje, é o retrato da precarização. Servidores desarmados em zonas de risco, viaturas sem sirenes e o fantasma da retaliação pairando sobre quem ousa denunciar perdas salariais. Braide tratou a segurança como um figurante de luxo em seus vídeos, mas deixou para trás uma tropa que clama por estrutura básica para não virar estatística.

Agora, o ex-prefeito mira o Palácio dos Leões. A estratégia é clara: levar o “modelo São Luís” para todo o Maranhão. O perigo, contudo, é que um estado não se governa com filtros de embelezamento. Problemas de drenagem, que engolem milhões em obras invisíveis na primeira tempestade, não são resolvidos com edição de vídeo. Direitos de professores não se pagam com curtidas.

O brilho da tela apagou e o que sobrou foi o buraco no bairro, o ônibus que não vem e o teto que caiu. Eduardo Braide deixou a prefeitura com o saldo de quem soube vender uma cidade que só existia na nuvem.

Para o Maranhão, fica o alerta: o espetáculo pode até ser bonito, mas quando as luzes se apagam e o filtro sai, a realidade costuma cobrar um preço alto demais.

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