Haaland celebra a vitória da Noruega.
O Brasil perdeu porque mereceu perder. E só
voltará a vencer quando recuperar o respeito por sua história e também pelos
adversários.
A eliminação do Brasil diante da Noruega foi merecida. E há dois
culpados centrais por esta derrota: a CBF e Carlo Ancelotti.Play Video
A CBF, em primeiro lugar, por ter naturalizado uma ideia absurda: a de
que o país mais tradicional do futebol mundial não teria um brasileiro capaz de
comandar sua própria seleção. É ridículo que o Brasil, pentacampeão mundial,
celeiro de jogadores, técnicos, escolas, ideias e paixões futebolísticas, tenha
se colocado na posição subalterna de buscar fora aquilo que deveria ser capaz
de produzir dentro de casa.
Se fosse mesmo
necessário escolher um estrangeiro — e não era — que fosse Abel Ferreira, do
Palmeiras. Abel vive o futebol brasileiro há anos, conhece nossos jogadores,
entende o calendário, a pressão, a cultura, os vícios e as virtudes do nosso
futebol. Além disso, coleciona títulos. Seria uma escolha muito mais lógica do
que apostar em um técnico consagrado na Europa, mas distante da realidade
brasileira.
Ancelotti errou ao longo de toda a Copa. Errou nas escalações,
nas leituras de jogo e nas substituições. Insistiu em atacantes pouco efetivos,
como Raphinha na primeira fase e depois Rayan, duas peças inexpressivas quando
o Brasil precisava de protagonismo. Endrick, que deveria ter sido usado mais
cedo, só entrou no segundo tempo contra a Noruega, quando o jogo já estava
travado e o Brasil precisava desesperadamente de soluções.
Outro erro crasso foi escolher Bruno Guimarães para bater o pênalti. Bruno vinha sendo o melhor jogador do Brasil na Copa, mas foi colocado na fogueira. Caminhou para a bola com o pânico escancarado nos olhos. Um técnico experiente deveria ter percebido isso. Pênalti em jogo eliminatório não é apenas técnica: é cabeça, hierarquia e responsabilidade.
E aí vem outra
contradição: se Neymar foi convocado e tinha condições de jogar no segundo
tempo, poderia ter começado jogando. Até porque Neymar é o principal batedor de
pênaltis do Brasil. Em uma partida decidida nos detalhes, deixar seu jogador
mais decisivo no banco foi mais uma demonstração da confusão de Ancelotti.
Também é escandaloso que um técnico receba R$ 5 milhões por mês,
tenha contrato renovado até 2030 independentemente dos resultados e ainda faça
propaganda para uma cervejaria, a Ambev. A seleção brasileira não pode ser
tratada como plataforma de marketing nem como brinquedo de cartolas.
Por fim, é hora de acabar com a soberba. O “créu” como resposta
à remada viking norueguesa foi outra cena ridícula. Além de desrespeitar o
adversário, associa o Brasil ao deboche barato e ao sexismo. A Noruega
respondeu em campo. Com seriedade, organização e Haaland.
O
Brasil perdeu porque mereceu perder. E só voltará a vencer quando recuperar o
respeito por si mesmo, por sua história e também pelos adversários.
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