13.697 dias
1.956,71 semanas
450 meses
37,5 anos
Mais de 328 mil horas
Mais de 19 milhões de minutos
Mais de 1 bilhão e 180 milhões de segundos
Em 7 de outubro de 1980 era solto José Sales de Oliveira, que havia sido
condenado à prisão perpétua.
Estes números traduzem a triste
realidade desse 7 de abril para o Brasil e os brasileiros. Significam o tempo
decorrido entre a libertação do último preso político da ditadura militar em
nosso país e a detenção do primeiro preso político da ditadura do Judiciário e
da grande mídia que se instaurou entre nós, depois de golpe desferido em 2016,
por um parlamento corrompido, contra uma presidente legitimamente eleita pelo
povo.
Em 7 de outubro de 1980, era solto, em
Fortaleza, José Sales de Oliveira, que havia sido condenado à prisão perpétua e
mais 84 anos, por crime contra a segurança nacional. Com a Anistia, a pena foi
reduzida para 16 anos, 8 meses e 16 dias. Com a metade já cumprida, Oliveira
deixou o cárcere, aos 38 anos de idade. Os dados estão na edição de 8 de abril
de 1980 da Folha de São Paulo, em sua página 8.
Em 7 de abril de 2018, é preso, em São
Paulo, o maior presidente da história do Brasil, condenado a 12 anos e um mês,
por contrariar interesses das elites dominantes, em particular do capital
financeiro, temerosas de seu retorno ao governo. O desmonte de direitos sociais
adquiridos pelos mais pobres, a entrega de nossas riquezas para os
estrangeiros, a mitigação de uma já combalida democracia, nada disso pode ser
desafiado com o risco de as esquerdas empalmarem de novo a fatia de poder que
lhes foi roubada. Assim, mobilizaram seus agentes, no Judiciário, no Ministério
Público, no Parlamento, na mídia, em particular no império da Globo, tendo a
retaguarda das Forças Armadas, para impedir uma nova virada.
A aposta, agora, é no tempo que a nova
ditadura vai conseguir manter preso Luís Inácio Lula da Silva e no tempo que
ela própria será capaz de sobreviver. A resposta, com certeza, está nas ruas,
nas fábricas, nas escolas, na periferia, nas comunidades negras, LGBT e
indígenas, nos movimentos dos sem terra e sem teto, nas lutas sociais, enfim.
De Eduardo Campos
Jornalista e advogado em Belo
Horizonte, especial para os Jornalistas Livres
Redação/Blog Edmilson Moura


Nenhum comentário:
Postar um comentário