O Ministério Público disse
na tarde desta terça-feira (12) que a vereadora Marielle Franco foi morta por causa de uma "repulsa" do atirador
Ronnie Lessa a sua atuação política em defesa de causas voltadas para as
minorias. O PM reformado Ronnie foi apontado pela força-tarefa como o atirador.
"Todos os autos de investigação nos autorizam a hoje a afirmar e a
colocar e a imputar aos dois denunciados a motivação torpe, decorrente de uma
(...) repulsa, de uma reação de Ronnie Lessa à atuação política de Marielle na
defesa de suas causas", disse Simone Sibílio , promotora de Justiça e
coordenadora do Gaeco. Entre essas causas estão a defesa de "minorias,
mulheres negras, LGBT, entre outras".
“Essa motivação ela é decorrente da atuação política dela, mas não
inviabiliza um possível mando. Ela não inviabiliza que o crime tenha sido
praticado por uma paga ou promessa de recompensa. Essas causas juridicamente e
faticamente não se repelem", acrescentou a promotora.
Perguntada sobre que elementos da investigação demonstram a motivação
torpe para o crime, a promotora afirmou que as pesquisas feitas por Ronnie
Lessa "demonstram perfil absolutamente reativo a essas pessoas que se
dedicam às causas das minorias".
Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos
contra Marielle, e Élcio Queiroz, suspeito de dirigir o carro — Foto:
Reprodução/TV Globo
O policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado
como o autor dos 13 tiros que mataram a vereadora Marielle Franco e
o motorista Anderson Gomes e que foi preso nesta terça-feira (12),
já recebeu homenagem na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em
1998 e perdeu uma perna em um atentado à bomba há dez anos.
Lessa, de 48 anos, foi preso nesta terça na Operação Lume. Além
dele, a força-tarefa prendeu o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos,
apontado como motorista do carro que perseguiu a vereadora. Queiroz foi expulso
da PM em 2015.
O atentado que matou Marielle Franco e o motorista Anderson
Gomes completa um ano nesta quinta-feira (12).
Promotora explica como atirador foi
identificado
Elisa Fraga, promotora de justiça e coordenadora da Coordenadoria de
segurança e inteligência, explicou como o atirador foi identificado.
"Tivemos três frentes de trabalho. Uma desenvolvida na divisão de
inteligência, com agentes de campo. Uma outra que trabalhamos com a ação
telemática, em conjunto com agentes do Gaeco: analisamos o conteúdo que
recebemos dos provedores. A terceira é através da divisão de evidências
digitais e tecnologia".
"Recebemos uma imagem feita na casa das pedras, a imagem foi gerada
por uma câmara de infravermelho. Para saber o biotipo do atirador, podemos
traçar um perfil dele. Depois conseguimos usar uma atividade de luz e sombra
para identificar que não tinha ninguém no banco da frente, onde tinha sombra é
um vácuo de imagem", acrescentou.
"Nessa imagem obtida, havia um braço direito do atirador. Fizemos a
análise e com a comparação de outras imagens do Ronnie Lessa, observamos uma
compatibilidade do réu com o atirador", disse ainda Elisa.
Prisões
Segundo informações obtidas pelo G1, Ronnie e Élcio estavam saindo de
suas casas quando foram presos. Eles não resistiram à prisão e nada disseram
aos policiais.
Ronnie estava em sua casa em um condomínio na Avenida Lúcio Costa, na
Barra da Tijuca, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro tem residência. Élcio
mora na Rua Eulina Ribeiro, no Engenho de Dentro.
A Operação Lume cumpre ainda 32 mandados de busca e apreensão contra os
denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks,
computadores, armas, acessórios, munição e outros objetos. Durante todo o dia,
haverá buscas em dezenas de endereços de outros suspeitos.
Após a prisão de Ronnie, agentes fizeram varredura no terreno da casa
dele e encontraram armas e facas. Detectores de metais foram usados para
vasculhar o solo, e até uma caixa d'água passou por vistoria.
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Por Matheus Rodrigues, G1 Rio
Redação/Blog
Edmilson Moura.



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